quarta-feira, 30 de julho de 2008

ENTENDA UM POUCO MAIS SOBRE DOHA...

LEIA ESTES DOIS ARTIGOS PARA ENTENDER O QUE ACONTECEU EM DOHA:
21/07/2008 - 15h28
Entenda o que está em jogo na Rodada Doha
da BBC Brasil
A partir desta segunda-feira, ministros de cerca de 35 países estão reunidos em Genebra, na Suíça, para dar continuidade às negociações da Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O encontro em Genebra deverá se estender por toda a semana e é considerado a última chance de se obter um acordo de liberalização do comércio mundial, pelo menos neste ano.
A Rodada Doha foi lançada há sete anos, mas está paralisada devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres.
Os países em desenvolvimento querem maior abertura no setor agrícola das nações desenvolvidas, incluindo a redução ou o fim de subsídios. O bloco dos países desenvolvidos pressiona por maior abertura nos setores de indústria e serviços.Entenda o que está em jogo nas negociações.
Há quanto tempo as negociações da Rodada Doha vêm sendo realizadas?
A Rodada Doha da OMC foi lançada em novembro de 2001, na capital do Qatar, com o objetivo de obter maior liberalização do comércio mundial.
Quase sete anos depois, os países envolvidos nas discussões ainda não conseguiram chegar a um acordo.
Até agora, as discussões têm girado principalmente em torno do tamanho dos cortes nos subsídios à agricultura por parte dos países desenvolvidos e no quanto o comércio de serviços pode ser liberalizado.
Por que as negociações foram paralisadas?
Um dos pontos mais polêmicos é o quanto os países ricos aceitam remover suas barreiras a exportações agrícolas dos países pobres.
Também há divergências sobre o quanto as nações em desenvolvimento aceitam abrir seus mercados para bens manufaturados e serviços.
Os países em desenvolvimento criticam o que consideram políticas protecionistas, principalmente por parte dos Estados Unidos e da União Européia.
Eles querem provas concretas de que os países desenvolvidos estão dispostos a abrir seus mercados com cortes expressivos em suas tarifas de importação e nos subsídios à agricultura.
O principal problema é que o livre comércio em agricultura tem se mostrado bem mais difícil de ser negociado do que em bens manufaturados.
Em que ponto está a negociação?
Durante esta semana, os representantes dos países envolvidos deverão ter reuniões dia e noite para tentar aprovar uma proposta de acordo em agricultura e produtos não-agrícolas.
Há alguns sinais de progresso. A União Européia disse estar preparada para reduzir suas tarifas agrícolas em 60%, o que significa um avanço em relação a propostas anteriores.
No entanto, os Estados Unidos afirmam que só irão reduzir seus subsídios agrícolas se os países emergentes abrirem seus mercados, cortando tarifas industriais.
Qualquer proposta de acordo que seja decidida em Genebra terá que receber o aval de todos os 152 membros da OMC antes de ser aprovada.
Há uma corrida contra o relógio para se chegar a um acordo. Os envolvidos nas negociações querem fechar um acordo antes que o novo presidente americano assuma o poder, em 2009.
O novo presidente dos Estados Unidos pode querer fazer mudanças na política comercial do país, e qualquer acordo sem a participação da maior economia do mundo seria bastante enfraquecido --ou mesmo inútil, segundo analistas.
Os atuais problemas na economia mundial afetam as negociações?
A saúde da economia global se deteriorou desde a última reunião para discutir a Rodada Doha, com desaceleração no crescimento nos países desenvolvidos e aumentos do custo de vida.
A alta mundial dos preços dos alimentos, que dobraram desde o ano passado, teve efeito maior sobre os países mais pobres, onde uma proporção maior da renda familiar é gasta em comida.
Segundo analistas, isso levou a um aumento do protecionismo nos países exportadores de alimentos.
Os defensores de um acordo afirmam que ele iria ajudar a reduzir a pobreza e a criar empregos nos países em desenvolvimento, enquanto os países ricos podem se beneficiar se conseguirem exportar mais bens e serviços.
Calcula-se que um acordo possa injetar US$ 100 bilhões por ano na economia mundial.
Quais seriam as conseqüências de um fracasso nas negociações?
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, afirma que há 50% de chance de sucesso. O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, é mais otimista.
Um fracasso nas negociações significaria o fim da Rodada Doha, já que as eleições americanas devem dominar a agenda política mundial a partir de agora.
Isso enfraqueceria a realização de acordos multilaterais, já que os países negociariam acordos comerciais individuais entre si, o que colocaria os países menores em desvantagem.
Os maiores países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, também perderiam com o fracasso nas negociações, porque precisam de mercados abertos para suas crescentes exportações.
No entanto, algumas ONGs (organizações não-governamentais) afirmam que é melhor que não haja nenhum acordo do que um acordo que seja desfavorável aos países mais pobres.
Para a OMC, o fracasso em obter um acordo depois de sete anos de negociações significaria o maior revés de sua história.

rodada de DOHA, entenda...

29/07/2008 - 19h15
Quem ganha e quem perde com fracasso na OMC

da France Presse, em Genebra

O fracasso das negociações da Rodada Doha sobre a liberalização do comércio mundial alivia alguns países e setores, enquanto outros lamentam a falta de um acordo que poderia dinamizar a economia do planeta.
VENCEDORES
Os governos: A maioria dos líderes mundiais não vai correr o risco de se expor à impopularidade de ter assinado um acordo que se traduziria por uma crescente abertura e dura concorrência na agricultura nos países ricos e na indústria nos países em desenvolvimento.
Os subsídios agrícolas: O acordo em preparação previa um corte de 50% a 85% das subvenções internas concedidas aos agricultores dos países ricos. Previa também a eliminação, em 2013, dos subsídios à exportação. A última proposta dos Estados Unidos era de até US$ 14,5 bilhões por ano em subsídios aos agricultores americanos, contra os mais de US$ 40 bilhões atuais.
Países protecionistas na agricultura: Os países desenvolvidos que impõem tarifas alfandegárias muito elevadas à importação de produtos agrícolas para defender sua produção interna, como o Japão, ou a Suíça, teriam visto suas tarifas se elevarem com o acordo. Os países em desenvolvimento, fortemente dependentes de alguns produtos agrícolas, como Índia ou Indonésia, teriam de limitar suas proteções tarifárias.
PERDEDORES
A economia mundial: Um acordo se traduziria por uma injeção de US$ 50 bilhões por ano na economia mundial e de US$ 100 bilhões ao fim de dez anos, por meio da redução das tarifas alfandegárias, segundo o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. Esses montantes representam uma parte ínfima do PIB mundial, avaliado em mais de US$ 50 trilhões, mas um acordo teria sido um sinal positivo em um período de crise financeira.
Os exportadores de produtos agrícolas: Brasil, Canadá, Austrália e Uruguai esperavam, com impaciência, a redução dos subsídios dos países ricos para exportar seus produtos agrícolas ao mesmo tempo para os mercados dos países desenvolvidos e daqueles em desenvolvimento.
Os países menos desenvolvidos: Os países não tinham nenhuma concessão a fazer nos termos da Rodada Doha, que lhes ofereceria um acesso, sem barreiras, aos mercados dos países desenvolvidos para 97% de seus produtos de exportação.
A indústria: Os países industrializados esperavam, com impaciência, que os países emergentes reduzissem suas tarifas para ter acesso a seus mercados. Índia e Brasil, por exemplo, teriam de levar a média de suas barreiras tarifárias sobre os produtos industriais para entre 11% e 12%. A China também teria se beneficiado, largamente, da abertura de novos mercados para exportar seus produtos manufaturados.
Os Serviços: Os setores de telecomunicações, bancos, ou seguradoras dos países ricos, que procuram novas saídas nos países emergentes, teriam se beneficiado do acordo que pedia a cada Estado-membro para 'assinalar' os domínios nos quais eles estariam prontos a se abrir para a concorrência. O rascunho do texto também previa facilitar a migração temporária do pessoal qualificado.
Os produtores africanos de algodão: Quatro países da África Ocidental (Benin, Burkina Fasso, Mali e Chade) tinham-se reunido para pedir a redução dos subsídios que os Estados Unidos concedem a seus produtores de algodão e o fim dos subsídios à exportação.
Pascal Lamy: O diretor-geral da OMC deu sua última cartada, convocando uma reunião ministerial, sabendo que as chances de sucesso não chegavam a 50%. Ele poderia ter escolhido não solicitar uma renovação de seu mandato de quatro anos, que expira em 31 de agosto de 2009.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

CHINA E TIBET

17/03/2008 - 07h28
Entenda as relações turbulentas entre China e o Tibete
da BBC
O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. O governo da região autônoma, apoiado por Pequim, afirma que dez pessoas morreram nos confrontos do fim de semana, mas autoridades do governo tibetano no exílio dizem que pelo menos 80 perderam a vida nos choques com a polícia.
Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.
Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.
Saiba mais sobre o que provocou os protestos, quem são os envolvidos e por que o Tibete está em disputa contra o domínio chinês.

Por que os protestos estão ocorrendo?
Essa é uma questão histórica. A China diz que o Tibete faz parte de seu território desde meados do século 13 e deverá ficar sob o comando de Pequim.
Muitos tibetanos, no entanto, têm uma outra visão da história. Eles afirmam que a região do Himalaia ficou independente durante vários séculos e que o domínio chinês nem sempre foi uma constante.
Entre 1911 e 1950, por exemplo, o Tibete manteve o status de país independente, até que Mao Tsé-tung comandou a Revolução Chinesa e chegou ao poder no país, em 1949.
Em 1963, ganhou status de região autônoma, e hoje conta com um governo apoiado pela China.
Em 1989, a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial.
Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.
O que detonou os últimos protestos?
As manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês.
Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.
Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos.
Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.
O dois lados serão capazes de resolver as diferenças?
O governo chinês mantém pouco diálogo com o governo tibetano no exílio, com base na Índia. As negociações nunca avançaram e provavelmente não devem avançar no futuro o abismo entre as duas partes é imenso.
A China diz que os tibetanos no exílio, liderados pelo dalai-lama, só estão interessados em separar o Tibete da terra mãe. O dalai-lama diz querer nada mais do que a autonomia da região.
Por que a questão do Tibete é tão conhecida no mundo ocidental?
Esta é uma pergunta difícil de responder. O domínio chinês sobre a província de Xinjiang, no oeste do país, é tão controverso quanto o do Tibete, mas não conta com a mesma notoriedade.
Talvez uma das razões pelas quais os ocidentais saibam sobre os problemas do Tibete é por causa do dalai-lama.
Desde que fugiu do Tibete depois do fracasso do levante, em 1959, o líder espiritual dos tibetanos viajou o mundo para advogar por mais autonomia para sua terra natal, sempre enfatizando que não defendia a violência.
Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989.
Haverá novos protestos?
Provavelmente. A causa fundamental dos protestos não foi solucionada, então a tensão persiste.
Os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíadas.
Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.
Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007.
Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

04/06/2008 - 21h03
Áreas de conservação federal somam 8,3% do território nacional, diz IBGE

da Folha Online

A área destinada às unidades de conservação ambiental nacional cresceram de 6,5% do território nacional em 2003 para 8,3% em 2007. Com isso, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem mais de 712.660 km2 de áreas protegidas em nível federal. No total, o número de unidades de conservação passou de 251 para 299 no período.
Entre biomas analisados pelo IBGE, a Amazônia detém a maior área protegida, concentrando mais de 15% das unidades de conservação federais --6,5% são unidades de proteção integral, que não permitem que a população habite no local. A Caatinga e os Campos Sulinos são os que possuem menos unidades de conservação.
"O bioma amazônico teve o maior aumento de área protegida entre 2003 e 2007, seguido pelas unidades de conservação marinha. Por outro lado, os biomas Pantanal e Caatinga não tiveram aumento em sua área protegida por unidades de conservação federais", afirma o instituto, em nota.
O estudo "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008", feito pelo IBGE, mostra que grande parte dos parâmetros ambientais no país ainda estão negativos ou mantêm uma evolução muito lenta. No total, o instituto analisou 23 indicadores, divididos nos temas atmosfera, terra, água doce, oceanos, mares e áreas costeiras, biodiversidade e saneamento.
Para o IBGE, são dados positivos a redução no consumo de substâncias que prejudicam a camada de ozônio, o aumento das áreas de conservação, a redução no número de incêndios e a estabilização na poluição atmosférica, com exceção do ozônio, cuja concentração continua aumentando.
Entretanto, a poluição dos rios em grandes regiões metropolitanas e nas praias continua em nível elevado. Além disso, a devastação da Amazônia voltou a ganhar força, conforme dados divulgados nesta semana pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

terça-feira, 3 de junho de 2008

amazônia


02/06/2008 - 22h47
Em 12 meses, Amazônia perdeu área equivalente a seis São Paulos
da Folha Online
Entre maio de 2007 e abril de 2008, os últimos 12 meses registrados pelo sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), a Amazônia sofreu um desmatamento de 9.495 km2, o equivalente a mais de seis vezes a área da cidade de São Paulo. Só no último mês de abril, foram desmatados 1.123 km2, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
De acordo com o relatório do instituto, os Estados em que foram registradas as maiores áreas desmatadas em abril foram Mato Grosso (794,1 km2) e Roraima (284,8 km2). O governo de Mato Grosso, o líder em desmatamento em abril, informou que os dados do Inpe serão verificados em campo.
"Onde for comprovado o desmatamento ilegal será lavrado o auto de infração. Os números do Deter são alertas para a fiscalização, e nós vamos continuar fiscalizando", afirmou o secretário de Meio Ambiente do Estado, Luis Henrique Daldegan, em nota.
Roberto Jayme/Reuters
Carlos Minc considerou "preocupantes" os dados sobre desmatamento e anunciou pacote de medidas para a Amazônia
Em março, o índice de desmatamento havia ficado em 145 km2, mas esse dado não é confiável para comparar o desmatamento na floresta.
Isso porque, conforme o Inpe, o aumento pode ser explicado, em parte, pela maior oportunidade de observação do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que faz essa medição.
Isso porque em março deste ano 78% da Amazônia estava sob nuvens e, em abril, esse índice foi reduzido para 53%.
No Mato Grosso, por exemplo, que teve uma área de desmatamento registrada de 112,4 km2 em março, a cobertura de nuvens diminuiu de 69% para apenas 14% em abril.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) considerou que os dados são "preocupantes". Ele anunciou um pacote de medidas para coibir a destruição de florestas na região, entre elas o início da apreensão de gado criado em propriedades não regularizadas --chamada por Minc de operação "boi pirata"-- e a criação de um batalhão de guarda florestal para evitar ações de degradações às florestas.


Apesar de admitir que os dados do Inpe podem não ser precisos, uma vez que as imagens aéreas captadas na Amazônia foram prejudicadas por nuvens na região, Minc ressaltou que os números indicam que o desmatamento na Amazônia pode crescer ainda mais nos próximos meses.
"Os piores meses de desmatamento, historicamente, são junho, julho e agosto. Não podemos dormir no ponto, o pior está por vir. Mesmo sendo um indicativo, impreciso, com nuvens, é comparado com outros semelhantes", alertou.
O ministro atribuiu o crescimento das áreas desmatadas ao aumento do preço da soja e da venda de gado no mercado econômico. Segundo Minc, há uma relação direta entre o aumento do preço da carne, da soja e o desmatamento.
"Isso significa estímulo para que novas áreas sejam ocupadas. É muito mais até o gado do que a soja, que normalmente é a segunda etapa da produção", afirmou.
Minc anunciou que, a partir do dia 15 junho, a operação "boi pirata" vai monitorar a cadeia produtiva do gado. As siderúrgicas, frigoríficos, madeireiras e agropecuárias serão notificados para que informem ao governo todos os seus fornecedores de carne. Os identificados como 'irregulares' terão a produção de gado apreendida pelo governo.
"Se uma siderúrgica compra material de frigorífico ilegal, ela é responsável pelo crime ambiental', explicou Minc. O ministro não descarta doar o gado apreendido para o programa Fome Zero, do governo federal. 'Pode ser uma alternativa para alimentar a quem precisa."
Controle
Minc disse que, também a partir deste mês, o governo vai ampliar o controle sobre a região amazônica com o envio de 500 homens para a fiscalização da região --como o núcleo da futura 'guarda nacional ambiental' que será criada no país.
Em conversa com o ministro Tarso Genro (Justiça), Minc disse que recebeu o compromisso de que será criado um batalhão especial com treinamento ambiental para agir a partir do segundo semestre deste ano no combate ao desmatamento.
O ministro ainda espera que a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de restringir, a partir de 1º de julho, a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais também vai ajudar na redução das áreas desmatadas.
Outra medida do governo, segundo Minc, será criar uma espécie de "paredão verde de unidades de conservação" para coibir o desmatamento.
"O dado é preocupante, não vamos brigar com o termômetro, não queremos chorar a seiva derramada. Vamos agir, o tempo é curto, as medidas estão certas, não deu tempo para surtirem efeito, algumas nem começaram. O boi pirata vai começar a partir de junho. Várias começaram e ainda não renderam frutos, outras estão começando agora", enfatizou.

sábado, 26 de abril de 2008

ATUALIDADES EM GEOGRAFIA:

Assunto : Educação 2008



Educação no Brasil Educação, informações para professores, analfabetismo, taxa de escolaridade no Brasil, Educação Básica, Educação Infantil, LDB ( Lei de Diretrizes e Bases da Educação), dados estatísticos.
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Pesquisas na área educacional apontam que um terço dos brasileiros freqüentam diariamente a escola (professores e alunos). São mais de 2,5 milhões de professores e 57 milhões de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino. Estes números apontam um crescimento no nível de escolaridade do povo brasileiro, fator considerado importante para a melhoria do nível de desenvolvimento de nosso país.
Uma outra notícia importante na área educacional diz respeito ao índice de analfabetismo. Recente pesquisa do PNAD - IBGE mostra um queda no índice de analfabetismo em nosso país nos últimos dez anos (1992 a 2002). Em 1992, o número de analfabetos correspondia a 16,4% da população. Esse índice caiu para 10,9% em 2002. Ou seja, um grande avanço, embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.






Esta queda no índice de analfabetismo deve-se, principalmente, aos maiores investimentos feitos em educação no Brasil nos últimos anos. Governos municipais, estaduais e federais tem dedicado uma atenção especial a esta área. Programas de bolsa educação tem tirado milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem nos bancos escolares. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) também tem favorecido este avanço educacional. Tudo isto, aliado a políticas de valorização dos professores, principalmente em regiões carentes, tem resultado nos dados positivos.
Outro dado importante é a queda no índice de repetência escolar, que tem diminuído nos últimos anos. A repetência acaba tirando muitos jovens da escola, pois estes desistem. Este quadro tem mudado com reformas no sistema de ensino, que está valorizando cada vez mais o aluno e dando oportunidades de recuperação. As classes de aceleração também estão dando resultados positivos neste sentido.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em 1996, trouxe um grande avanço no sistema de educação de nosso país. Esta lei visa tornar a escola um espaço de participação social, valorizando a democracia, o respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. A escola ganhou vida e mais significado para os estudantes.



Violências nas Escolas
As percepções sobre diversos tipos de violências de alunos, pais e membros do corpo técnico-pedagógico em escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras estão reunidas no livro “Violências nas Escolas” que está sendo lançado hoje (25/03) pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no auditório Emílio Ribas, no Ministério da Saúde. Este é o maior e mais completo estudo já feito sobre o assunto na América Latina.
Segundo a apresentação do livro, “Para a UNESCO, a construção de uma cultura de paz - tendo como pontos de partida a educação, ciência, tecnologia, cultura, comunicação - incorpora a reflexão crítica e as análises propositivas como instrumentos estratégicos. Especialmente relevante se torna o esforço de pesquisa e prospecção quando o tema assume tessituras delicadas, ainda que chocantes e surpreendentes, como ocorre com a violência nas escolas”.
A pesquisa começou em 2000 e terminou em 2002. Foi desenvolvida nas áreas urbanas das capitais dos estados Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, e em Brasília (DF), representando todas as regiões do País.
A dificuldade em definir o que seriam as violências nas escolas levou a que, na pesquisa, não se tivesse uma visão, a priori, do fenômeno. Daí a opção por conhecer o mundo da escola e a percepção de seus diversos atores. Para a realização do estudo foi adotada uma concepção abrangente de violência, incorporando não apenas a idéia de maus-tratos, uso de força ou intimidação, mas também as dimensões sócio-culturais e simbólicas do fenômeno.
O trabalho foi coordenado pelas pesquisadoras Miriam Abramovay e Maria das Graças Rua, com a colaboração de Mary Castro. A pesquisa foi realizada pela UNESCO em parceria com Coordenação Nacional de DST-Aids/Ministério da Saúde, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos/Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Ayrton Senna, Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Banco Mundial, Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Ford, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). Essa união de esforços mostra ousadia e sensibilidade de nossos parceiros ao enfrentar um tema tão controvertido e atual.
Foram aplicados 33.655 questionários a alunos, 10.225 a pais e 3.099 membros do corpo técnico-pedagógico de 239 escolas públicas e 101 escolas privadas. A amostra probabilística (amostra estatisticamente representativa da população) tem margem de erro de 3% e coeficiente de confiança de 95%. Além disso, mediante técnicas qualitativas, foram entrevistados diretores, coordenadores de disciplina, supervisores, agentes de segurança e policiais. Foram feitos grupos focais com alunos, pais e professores totalizando 2.155 pessoas entrevistadas, com 729 horas de entrevistas gravadas. A metodologia científica empregada na realização do estudo está detalhadamente explicada em capítulo especialmente dedicado ao assunto.
O livro ordena os aspectos gerais do tema nos seguintes capítulos: 1. panorâmica da literatura quanto às violências na escolas, 2. o ambiente interno e o entorno da escola (policiamento, gangue e tráfico de drogas, ambiente escolar etc. ), 3. o funcionamento e as relações sociais na escola (percepções sobre a escola, transgressões e punições etc.), 4. escola, exclusão social e racismo, 5. as violências nas escolas: tipos de ocorrências, praticantes e vítimas (ameaças, brigas, violência sexual, uso de armas, furtos e roubos, outras violências etc.) e 6. repercussões das violências e soluções alternativas. Seguem-se as Conclusões.
Por ser um estudo extenso e muito rico em informações, é fundamental uma leitura atenta do livro visando a produção de textos jornalísticos.
Principais aspectos da pesquisa:
• É no espaço externo à escola que acontecem dois importantes fenômenos associados à violência: a presença de gangues e o tráfico de drogas. Isso é causa de grande preocupação de alunos, pais e professores, e afeta diretamente a rotina do ambiente escolar.
• A presença constante de traficantes nos arredores das escolas e a própria abordagem deles facilitam e ampliam o acesso dos jovens às drogas. Tanto diretores quanto alunos afirmaram que é extremamente fácil manter contato com traficantes ou repassadores de drogas.
• A falta de respaldo policial para a segurança dos estabelecimentos de ensino é outro aspecto bastante mencionado. Foram feitas sugestões pelos próprios entrevistados quanto à necessidade de melhor treinar os policiais que já fazem esse trabalho.
• A pesquisa indica manifestações de discriminação racial revelando que os alunos não brancos são muito mais numerosos nas escolas públicas e no turno da noite do que os alunos brancos. Tal fato pode ser a expressão da existência de barreiras ao acesso de negros e mestiços às escolas particulares, consideradas, por muitos entrevistados, como de melhor qualidade.
• A principal manifestação da violência nas escolas é de natureza física. Nelas ocorrem ameaças brigas às vezes com conseqüências letais; além de roubos, assaltos, depredações, tiroteios etc. As brigas são consideradas acontecimentos corriqueiros, sugerindo a banalização da violência e sua legitimização, como mecanismo de solução de conflitos.
• Foram relatados também estupros e outras violências sexuais nas escolas e no seu entorno, especialmente no itinerário percorrido pelas alunas no deslocamento para suas casas.
• Embora nas situações de violência no ambiente escolar as armas de fogo não sejam predominantes, os percentuais de alunos que apontam seu uso são bastante elevados. Segundo a consulta a alunos e membros do corpo técnico-pedagógico, é em São Paulo e no Distrito Federal que são mais freqüentes as indicações do uso de armas de fogo nas ocorrências, enquanto que em Florianópolis estão os menores percentuais de alunos que apontam seu uso.
• Os alunos estão conscientes do poder de agressão não apenas das armas de fogo mas também das chamadas armas brancas (objetos cortantes como faca, canivetes, estiletes etc.).
• Mais da metade dos que sabem onde e de quem comprar armas (55%) também acham fácil obter armas perto da escola. Mais da metade dos que já tiveram ou têm uma arma de fogo (51%) também declararam que seus pais ou parentes possuem armas de fogo.
• Dois terços dos que sabem onde/quem vende armas de fogo (67%) dizem que essas armas são acionadas nas ocorrências violentas na escola.
• Dos que disseram ser fácil conseguir armas de fogo na escola ou em suas imediações, 69% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola. E dos que tiveram ou têm arma de fogo, 70% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola.
• Os estudantes que relatam ter visto alunos, pais, professores ou funcionários portando armas de fogo e/ou outras armas na escola apresentam maior média de relatos de ocorrências violentas, quando comparados aos demais.
• O estudo da vitimização mostra que os alunos, em geral, são as vítimas mais freqüentes. Em seguida estão os professores e os funcionários/diretores.
• Ao cruzar os dados, verificou-se que os impactos mais significativos da violência são, pela ordem, alterar o ambiente da escola (tornando-o mais pesado), faltar às aulas e piorar a qualidade das aulas. Em seguida aparece a perda de motivação para comparecer às aulas, que apresentou associação com as ocorrências de violência nas escolas em metade dos casos.


A violência na escola é assunto antigo das conversas sobre educação. Em 2000, a UDEMO realizou uma pesquisa com quase 500 escolas públicas de todo o estado de São Paulo, 44% afirmaram que a violência aumentara em relação aos anos anteriores.
É importante ressaltar que a violência escolar não vem desacompanhada de outros fatores. Não é algo que surge e termina dentro da sala de aula. É apenas uma das facetas dos variados tipos de violência que acercam o jovem diariamente: a violência familiar, social, estatal, verbal, física, comportamental, entre tantas outras. O aluno influenciado por tipos de violência em casa ou na rua é meio de transporte para que esta violência adentre as escolas.
O assunto é vasto e merece muitas discussões e reflexões. Contudo, para o professor, além de combater as causas, é de imediata importância também entender e tentar controlar suas conseqüências. Para isso, muitas possíveis soluções estão sendo apontadas a fim de que esse sério problema seja resolvido. Uma das ações que melhores resultados tem mostrado é a boa gestão da escola. Ou seja, a vontade dos diretores e dos professores de mudar o quadro depredado da escola. Bons exemplos encontramos em escolas como a da Vila Prete e a Professor José Negri, ambas no estado de São Paulo. Essas escolas conseguiram ótimas notas em exames nacionais, e o segredo está na boa gestão.
Uma gestão de qualidade inclui projetos que tragam os professores, pais e voluntários para perto dos alunos, dentro da escola. Projetos como atividades internas nos períodos em que não se tenham aulas, aos fins de semana etc, assim como o conhecido Amigos da Escola, ou mesmo outros de iniciativa própria nas comunidades.
O importante é acreditar no aluno. Não se pode desistir daquele aluno que não consegue aprender e tem dificuldades dentro e fora da escola, sentindo-se intimidado com a frustração, ele pode reagir com violência. A professora Mabel Victorino, 30 anos, deixa isso claro quando fala sobre o assunto,
“A gente tem de usar todas as formas possíveis para fazer o aluno aprender… Se não dá de um jeito, aprende de outro.”
A vontade de se empenhar na pacificação da escola já é bem antiga, em 1999, uma reportagem da ISTOÉ que tratava da violência escolar coloca um comentário do pedagogo Roberto Leme, presidente da UDEMO na época,
“Sem conseguir sobressair, os jovens se juntam em grupos e partem para a violência”, explicitando a importância das atividades extracurriculares na rotina do jovem.
As Drogas
Um dos principais motivos da violência escolar está no uso e no tráfico de drogas (ilícitas ou não). Muitos alunos usam e comercializam drogas dentro e nas proximidades da escola. Isso também atrai maus elementos para os arredores das instituições. Na mesma pesquisa da UDEMO,
“27% das escolas pesquisadas relataram que alunos portavam e consumiam bebidas alcoólicas durante as aulas. 19% das escolas foram invadidas por estranhos, com objetivo de furto, roubo, estupro, tráfico, de drogas. 18% acusaram porte ilegal de armas, por parte dos alunos.”
A solicitação de um bom policiamento às autoridades, como se já não fosse um dever, pode ajudar. Às vezes, apenas a presença de uma viatura da Guarda Municipal já é o suficiente para intimidar possíveis problemas nas saídas das escolas e o comércio de drogas - pelo menos em frente aos portões.
Um levantamento publicado pelo jornal argentino Clarín, no ano passado, mostra que o Brasil é o 3º em uso de cocaína na América do Sul,
“1,7% dos brasileiros matriculados no ensino médio já consumiram a droga.”
O Brasil perde apenas para a Argentina e para o Chile. Isso pode nos dar uma idéia de como o problema é grande.
Sem contar o uso de bebidas alcoólicas e de cigarro comum. A criança com muito tempo livre ocioso acaba por assistir a muitos programas violentos e que incentivam o uso de álcool, por exemplo. Aída Maria Monteiro Silvia trata, em seu texto, A Violência na Escola: A Percepção dos Alunos e Professores (link para o arquivo em .pdf), entre outras coisas, a influência que a programação pouco educativa da televisão causa às crianças.
Campanhas e projetos que dão seminários sobre o uso e o efeito das drogas no organismo podem ajudar no combate a esse uso indevido na rua e nas salas de aula





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Analfabetismo no Brasil

Parte 1: Magnitude e evolução do analfabetismo no Brasil
Magnitude

· Segundo estimativas obtidas com base na PNAD 2001, 12,4% das pessoas com
mais de 15 anos de idade são analfabetas. Este resultado, embora seja o mais
recente, exclui a área rural da região Norte.

· As estimativas produzidas a partir do Censo Demográfico de 2000 indicam uma
taxa de analfabetismo para a mesma faixa etária (15 anos e mais) de 13,6%, o que
representa 16 milhões de pessoas analfabetas.

· Pelas estatísticas das Nações Unidas, presentes no Relatório de Desenvolvimento
Humano de 2001, o Brasil exibe atualmente uma taxa de analfabetismo, para a
população com 15 anos ou mais de idade, de 14,8% (vale ressaltar que este dado
para o Brasil refere-se ao ano de 200).

· A tabela abaixo apresenta uma síntese de todas estas estimativas mais recentes para
a taxa de analfabetismo brasileira.

Comparações internacionais

· Como resultado desta elevada taxa de analfabetismo exibida pelo Brasil ocorre que
55% dos países do mundo apresentam melhor desempenho que o nosso. Mesmo em
relação ao 19 países latino-americanos ocorre que 72% deles têm uma taxa de
analfabetismo menor que a brasileira.

Segundo dados do Censo 2000 - resultados da amostra, o Brasil possu�a naquele ano uma popul ao de 170 milh�es de habitantes, dos quais 91 milh�es se classificaram como brancos (53,7%), 65 milh�es como pardos (38,4%), 10 milh�es como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%) e 734 mil como ind�genas (0,4%).