Assunto : Educação 2008
Educação no Brasil Educação, informações para professores, analfabetismo, taxa de escolaridade no Brasil, Educação Básica, Educação Infantil, LDB ( Lei de Diretrizes e Bases da Educação), dados estatísticos.
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Pesquisas na área educacional apontam que um terço dos brasileiros freqüentam diariamente a escola (professores e alunos). São mais de 2,5 milhões de professores e 57 milhões de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino. Estes números apontam um crescimento no nível de escolaridade do povo brasileiro, fator considerado importante para a melhoria do nível de desenvolvimento de nosso país.
Uma outra notícia importante na área educacional diz respeito ao índice de analfabetismo. Recente pesquisa do PNAD - IBGE mostra um queda no índice de analfabetismo em nosso país nos últimos dez anos (1992 a 2002). Em 1992, o número de analfabetos correspondia a 16,4% da população. Esse índice caiu para 10,9% em 2002. Ou seja, um grande avanço, embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Esta queda no índice de analfabetismo deve-se, principalmente, aos maiores investimentos feitos em educação no Brasil nos últimos anos. Governos municipais, estaduais e federais tem dedicado uma atenção especial a esta área. Programas de bolsa educação tem tirado milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem nos bancos escolares. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) também tem favorecido este avanço educacional. Tudo isto, aliado a políticas de valorização dos professores, principalmente em regiões carentes, tem resultado nos dados positivos.
Outro dado importante é a queda no índice de repetência escolar, que tem diminuído nos últimos anos. A repetência acaba tirando muitos jovens da escola, pois estes desistem. Este quadro tem mudado com reformas no sistema de ensino, que está valorizando cada vez mais o aluno e dando oportunidades de recuperação. As classes de aceleração também estão dando resultados positivos neste sentido.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em 1996, trouxe um grande avanço no sistema de educação de nosso país. Esta lei visa tornar a escola um espaço de participação social, valorizando a democracia, o respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. A escola ganhou vida e mais significado para os estudantes.
Violências nas Escolas
As percepções sobre diversos tipos de violências de alunos, pais e membros do corpo técnico-pedagógico em escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras estão reunidas no livro “Violências nas Escolas” que está sendo lançado hoje (25/03) pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no auditório Emílio Ribas, no Ministério da Saúde. Este é o maior e mais completo estudo já feito sobre o assunto na América Latina.
Segundo a apresentação do livro, “Para a UNESCO, a construção de uma cultura de paz - tendo como pontos de partida a educação, ciência, tecnologia, cultura, comunicação - incorpora a reflexão crítica e as análises propositivas como instrumentos estratégicos. Especialmente relevante se torna o esforço de pesquisa e prospecção quando o tema assume tessituras delicadas, ainda que chocantes e surpreendentes, como ocorre com a violência nas escolas”.
A pesquisa começou em 2000 e terminou em 2002. Foi desenvolvida nas áreas urbanas das capitais dos estados Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, e em Brasília (DF), representando todas as regiões do País.
A dificuldade em definir o que seriam as violências nas escolas levou a que, na pesquisa, não se tivesse uma visão, a priori, do fenômeno. Daí a opção por conhecer o mundo da escola e a percepção de seus diversos atores. Para a realização do estudo foi adotada uma concepção abrangente de violência, incorporando não apenas a idéia de maus-tratos, uso de força ou intimidação, mas também as dimensões sócio-culturais e simbólicas do fenômeno.
O trabalho foi coordenado pelas pesquisadoras Miriam Abramovay e Maria das Graças Rua, com a colaboração de Mary Castro. A pesquisa foi realizada pela UNESCO em parceria com Coordenação Nacional de DST-Aids/Ministério da Saúde, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos/Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Ayrton Senna, Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Banco Mundial, Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Ford, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). Essa união de esforços mostra ousadia e sensibilidade de nossos parceiros ao enfrentar um tema tão controvertido e atual.
Foram aplicados 33.655 questionários a alunos, 10.225 a pais e 3.099 membros do corpo técnico-pedagógico de 239 escolas públicas e 101 escolas privadas. A amostra probabilística (amostra estatisticamente representativa da população) tem margem de erro de 3% e coeficiente de confiança de 95%. Além disso, mediante técnicas qualitativas, foram entrevistados diretores, coordenadores de disciplina, supervisores, agentes de segurança e policiais. Foram feitos grupos focais com alunos, pais e professores totalizando 2.155 pessoas entrevistadas, com 729 horas de entrevistas gravadas. A metodologia científica empregada na realização do estudo está detalhadamente explicada em capítulo especialmente dedicado ao assunto.
O livro ordena os aspectos gerais do tema nos seguintes capítulos: 1. panorâmica da literatura quanto às violências na escolas, 2. o ambiente interno e o entorno da escola (policiamento, gangue e tráfico de drogas, ambiente escolar etc. ), 3. o funcionamento e as relações sociais na escola (percepções sobre a escola, transgressões e punições etc.), 4. escola, exclusão social e racismo, 5. as violências nas escolas: tipos de ocorrências, praticantes e vítimas (ameaças, brigas, violência sexual, uso de armas, furtos e roubos, outras violências etc.) e 6. repercussões das violências e soluções alternativas. Seguem-se as Conclusões.
Por ser um estudo extenso e muito rico em informações, é fundamental uma leitura atenta do livro visando a produção de textos jornalísticos.
Principais aspectos da pesquisa:
• É no espaço externo à escola que acontecem dois importantes fenômenos associados à violência: a presença de gangues e o tráfico de drogas. Isso é causa de grande preocupação de alunos, pais e professores, e afeta diretamente a rotina do ambiente escolar.
• A presença constante de traficantes nos arredores das escolas e a própria abordagem deles facilitam e ampliam o acesso dos jovens às drogas. Tanto diretores quanto alunos afirmaram que é extremamente fácil manter contato com traficantes ou repassadores de drogas.
• A falta de respaldo policial para a segurança dos estabelecimentos de ensino é outro aspecto bastante mencionado. Foram feitas sugestões pelos próprios entrevistados quanto à necessidade de melhor treinar os policiais que já fazem esse trabalho.
• A pesquisa indica manifestações de discriminação racial revelando que os alunos não brancos são muito mais numerosos nas escolas públicas e no turno da noite do que os alunos brancos. Tal fato pode ser a expressão da existência de barreiras ao acesso de negros e mestiços às escolas particulares, consideradas, por muitos entrevistados, como de melhor qualidade.
• A principal manifestação da violência nas escolas é de natureza física. Nelas ocorrem ameaças brigas às vezes com conseqüências letais; além de roubos, assaltos, depredações, tiroteios etc. As brigas são consideradas acontecimentos corriqueiros, sugerindo a banalização da violência e sua legitimização, como mecanismo de solução de conflitos.
• Foram relatados também estupros e outras violências sexuais nas escolas e no seu entorno, especialmente no itinerário percorrido pelas alunas no deslocamento para suas casas.
• Embora nas situações de violência no ambiente escolar as armas de fogo não sejam predominantes, os percentuais de alunos que apontam seu uso são bastante elevados. Segundo a consulta a alunos e membros do corpo técnico-pedagógico, é em São Paulo e no Distrito Federal que são mais freqüentes as indicações do uso de armas de fogo nas ocorrências, enquanto que em Florianópolis estão os menores percentuais de alunos que apontam seu uso.
• Os alunos estão conscientes do poder de agressão não apenas das armas de fogo mas também das chamadas armas brancas (objetos cortantes como faca, canivetes, estiletes etc.).
• Mais da metade dos que sabem onde e de quem comprar armas (55%) também acham fácil obter armas perto da escola. Mais da metade dos que já tiveram ou têm uma arma de fogo (51%) também declararam que seus pais ou parentes possuem armas de fogo.
• Dois terços dos que sabem onde/quem vende armas de fogo (67%) dizem que essas armas são acionadas nas ocorrências violentas na escola.
• Dos que disseram ser fácil conseguir armas de fogo na escola ou em suas imediações, 69% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola. E dos que tiveram ou têm arma de fogo, 70% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola.
• Os estudantes que relatam ter visto alunos, pais, professores ou funcionários portando armas de fogo e/ou outras armas na escola apresentam maior média de relatos de ocorrências violentas, quando comparados aos demais.
• O estudo da vitimização mostra que os alunos, em geral, são as vítimas mais freqüentes. Em seguida estão os professores e os funcionários/diretores.
• Ao cruzar os dados, verificou-se que os impactos mais significativos da violência são, pela ordem, alterar o ambiente da escola (tornando-o mais pesado), faltar às aulas e piorar a qualidade das aulas. Em seguida aparece a perda de motivação para comparecer às aulas, que apresentou associação com as ocorrências de violência nas escolas em metade dos casos.
A violência na escola é assunto antigo das conversas sobre educação. Em 2000, a UDEMO realizou uma pesquisa com quase 500 escolas públicas de todo o estado de São Paulo, 44% afirmaram que a violência aumentara em relação aos anos anteriores.
É importante ressaltar que a violência escolar não vem desacompanhada de outros fatores. Não é algo que surge e termina dentro da sala de aula. É apenas uma das facetas dos variados tipos de violência que acercam o jovem diariamente: a violência familiar, social, estatal, verbal, física, comportamental, entre tantas outras. O aluno influenciado por tipos de violência em casa ou na rua é meio de transporte para que esta violência adentre as escolas.
O assunto é vasto e merece muitas discussões e reflexões. Contudo, para o professor, além de combater as causas, é de imediata importância também entender e tentar controlar suas conseqüências. Para isso, muitas possíveis soluções estão sendo apontadas a fim de que esse sério problema seja resolvido. Uma das ações que melhores resultados tem mostrado é a boa gestão da escola. Ou seja, a vontade dos diretores e dos professores de mudar o quadro depredado da escola. Bons exemplos encontramos em escolas como a da Vila Prete e a Professor José Negri, ambas no estado de São Paulo. Essas escolas conseguiram ótimas notas em exames nacionais, e o segredo está na boa gestão.
Uma gestão de qualidade inclui projetos que tragam os professores, pais e voluntários para perto dos alunos, dentro da escola. Projetos como atividades internas nos períodos em que não se tenham aulas, aos fins de semana etc, assim como o conhecido Amigos da Escola, ou mesmo outros de iniciativa própria nas comunidades.
O importante é acreditar no aluno. Não se pode desistir daquele aluno que não consegue aprender e tem dificuldades dentro e fora da escola, sentindo-se intimidado com a frustração, ele pode reagir com violência. A professora Mabel Victorino, 30 anos, deixa isso claro quando fala sobre o assunto,
“A gente tem de usar todas as formas possíveis para fazer o aluno aprender… Se não dá de um jeito, aprende de outro.”
A vontade de se empenhar na pacificação da escola já é bem antiga, em 1999, uma reportagem da ISTOÉ que tratava da violência escolar coloca um comentário do pedagogo Roberto Leme, presidente da UDEMO na época,
“Sem conseguir sobressair, os jovens se juntam em grupos e partem para a violência”, explicitando a importância das atividades extracurriculares na rotina do jovem.
As Drogas
Um dos principais motivos da violência escolar está no uso e no tráfico de drogas (ilícitas ou não). Muitos alunos usam e comercializam drogas dentro e nas proximidades da escola. Isso também atrai maus elementos para os arredores das instituições. Na mesma pesquisa da UDEMO,
“27% das escolas pesquisadas relataram que alunos portavam e consumiam bebidas alcoólicas durante as aulas. 19% das escolas foram invadidas por estranhos, com objetivo de furto, roubo, estupro, tráfico, de drogas. 18% acusaram porte ilegal de armas, por parte dos alunos.”
A solicitação de um bom policiamento às autoridades, como se já não fosse um dever, pode ajudar. Às vezes, apenas a presença de uma viatura da Guarda Municipal já é o suficiente para intimidar possíveis problemas nas saídas das escolas e o comércio de drogas - pelo menos em frente aos portões.
Um levantamento publicado pelo jornal argentino Clarín, no ano passado, mostra que o Brasil é o 3º em uso de cocaína na América do Sul,
“1,7% dos brasileiros matriculados no ensino médio já consumiram a droga.”
O Brasil perde apenas para a Argentina e para o Chile. Isso pode nos dar uma idéia de como o problema é grande.
Sem contar o uso de bebidas alcoólicas e de cigarro comum. A criança com muito tempo livre ocioso acaba por assistir a muitos programas violentos e que incentivam o uso de álcool, por exemplo. Aída Maria Monteiro Silvia trata, em seu texto, A Violência na Escola: A Percepção dos Alunos e Professores (link para o arquivo em .pdf), entre outras coisas, a influência que a programação pouco educativa da televisão causa às crianças.
Campanhas e projetos que dão seminários sobre o uso e o efeito das drogas no organismo podem ajudar no combate a esse uso indevido na rua e nas salas de aula
1
Analfabetismo no Brasil
Parte 1: Magnitude e evolução do analfabetismo no Brasil
Magnitude
· Segundo estimativas obtidas com base na PNAD 2001, 12,4% das pessoas com
mais de 15 anos de idade são analfabetas. Este resultado, embora seja o mais
recente, exclui a área rural da região Norte.
· As estimativas produzidas a partir do Censo Demográfico de 2000 indicam uma
taxa de analfabetismo para a mesma faixa etária (15 anos e mais) de 13,6%, o que
representa 16 milhões de pessoas analfabetas.
· Pelas estatísticas das Nações Unidas, presentes no Relatório de Desenvolvimento
Humano de 2001, o Brasil exibe atualmente uma taxa de analfabetismo, para a
população com 15 anos ou mais de idade, de 14,8% (vale ressaltar que este dado
para o Brasil refere-se ao ano de 200).
· A tabela abaixo apresenta uma síntese de todas estas estimativas mais recentes para
a taxa de analfabetismo brasileira.
Comparações internacionais
· Como resultado desta elevada taxa de analfabetismo exibida pelo Brasil ocorre que
55% dos países do mundo apresentam melhor desempenho que o nosso. Mesmo em
relação ao 19 países latino-americanos ocorre que 72% deles têm uma taxa de
analfabetismo menor que a brasileira.
Segundo dados do Censo 2000 - resultados da amostra, o Brasil possu�a naquele ano uma popul ao de 170 milh�es de habitantes, dos quais 91 milh�es se classificaram como brancos (53,7%), 65 milh�es como pardos (38,4%), 10 milh�es como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%) e 734 mil como ind�genas (0,4%).
Educação no Brasil Educação, informações para professores, analfabetismo, taxa de escolaridade no Brasil, Educação Básica, Educação Infantil, LDB ( Lei de Diretrizes e Bases da Educação), dados estatísticos.
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Pesquisas na área educacional apontam que um terço dos brasileiros freqüentam diariamente a escola (professores e alunos). São mais de 2,5 milhões de professores e 57 milhões de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino. Estes números apontam um crescimento no nível de escolaridade do povo brasileiro, fator considerado importante para a melhoria do nível de desenvolvimento de nosso país.
Uma outra notícia importante na área educacional diz respeito ao índice de analfabetismo. Recente pesquisa do PNAD - IBGE mostra um queda no índice de analfabetismo em nosso país nos últimos dez anos (1992 a 2002). Em 1992, o número de analfabetos correspondia a 16,4% da população. Esse índice caiu para 10,9% em 2002. Ou seja, um grande avanço, embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Esta queda no índice de analfabetismo deve-se, principalmente, aos maiores investimentos feitos em educação no Brasil nos últimos anos. Governos municipais, estaduais e federais tem dedicado uma atenção especial a esta área. Programas de bolsa educação tem tirado milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem nos bancos escolares. Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) também tem favorecido este avanço educacional. Tudo isto, aliado a políticas de valorização dos professores, principalmente em regiões carentes, tem resultado nos dados positivos.
Outro dado importante é a queda no índice de repetência escolar, que tem diminuído nos últimos anos. A repetência acaba tirando muitos jovens da escola, pois estes desistem. Este quadro tem mudado com reformas no sistema de ensino, que está valorizando cada vez mais o aluno e dando oportunidades de recuperação. As classes de aceleração também estão dando resultados positivos neste sentido.
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em 1996, trouxe um grande avanço no sistema de educação de nosso país. Esta lei visa tornar a escola um espaço de participação social, valorizando a democracia, o respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. A escola ganhou vida e mais significado para os estudantes.
Violências nas Escolas
As percepções sobre diversos tipos de violências de alunos, pais e membros do corpo técnico-pedagógico em escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras estão reunidas no livro “Violências nas Escolas” que está sendo lançado hoje (25/03) pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no auditório Emílio Ribas, no Ministério da Saúde. Este é o maior e mais completo estudo já feito sobre o assunto na América Latina.
Segundo a apresentação do livro, “Para a UNESCO, a construção de uma cultura de paz - tendo como pontos de partida a educação, ciência, tecnologia, cultura, comunicação - incorpora a reflexão crítica e as análises propositivas como instrumentos estratégicos. Especialmente relevante se torna o esforço de pesquisa e prospecção quando o tema assume tessituras delicadas, ainda que chocantes e surpreendentes, como ocorre com a violência nas escolas”.
A pesquisa começou em 2000 e terminou em 2002. Foi desenvolvida nas áreas urbanas das capitais dos estados Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, e em Brasília (DF), representando todas as regiões do País.
A dificuldade em definir o que seriam as violências nas escolas levou a que, na pesquisa, não se tivesse uma visão, a priori, do fenômeno. Daí a opção por conhecer o mundo da escola e a percepção de seus diversos atores. Para a realização do estudo foi adotada uma concepção abrangente de violência, incorporando não apenas a idéia de maus-tratos, uso de força ou intimidação, mas também as dimensões sócio-culturais e simbólicas do fenômeno.
O trabalho foi coordenado pelas pesquisadoras Miriam Abramovay e Maria das Graças Rua, com a colaboração de Mary Castro. A pesquisa foi realizada pela UNESCO em parceria com Coordenação Nacional de DST-Aids/Ministério da Saúde, Secretaria de Estado dos Direitos Humanos/Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Ayrton Senna, Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Banco Mundial, Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Ford, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). Essa união de esforços mostra ousadia e sensibilidade de nossos parceiros ao enfrentar um tema tão controvertido e atual.
Foram aplicados 33.655 questionários a alunos, 10.225 a pais e 3.099 membros do corpo técnico-pedagógico de 239 escolas públicas e 101 escolas privadas. A amostra probabilística (amostra estatisticamente representativa da população) tem margem de erro de 3% e coeficiente de confiança de 95%. Além disso, mediante técnicas qualitativas, foram entrevistados diretores, coordenadores de disciplina, supervisores, agentes de segurança e policiais. Foram feitos grupos focais com alunos, pais e professores totalizando 2.155 pessoas entrevistadas, com 729 horas de entrevistas gravadas. A metodologia científica empregada na realização do estudo está detalhadamente explicada em capítulo especialmente dedicado ao assunto.
O livro ordena os aspectos gerais do tema nos seguintes capítulos: 1. panorâmica da literatura quanto às violências na escolas, 2. o ambiente interno e o entorno da escola (policiamento, gangue e tráfico de drogas, ambiente escolar etc. ), 3. o funcionamento e as relações sociais na escola (percepções sobre a escola, transgressões e punições etc.), 4. escola, exclusão social e racismo, 5. as violências nas escolas: tipos de ocorrências, praticantes e vítimas (ameaças, brigas, violência sexual, uso de armas, furtos e roubos, outras violências etc.) e 6. repercussões das violências e soluções alternativas. Seguem-se as Conclusões.
Por ser um estudo extenso e muito rico em informações, é fundamental uma leitura atenta do livro visando a produção de textos jornalísticos.
Principais aspectos da pesquisa:
• É no espaço externo à escola que acontecem dois importantes fenômenos associados à violência: a presença de gangues e o tráfico de drogas. Isso é causa de grande preocupação de alunos, pais e professores, e afeta diretamente a rotina do ambiente escolar.
• A presença constante de traficantes nos arredores das escolas e a própria abordagem deles facilitam e ampliam o acesso dos jovens às drogas. Tanto diretores quanto alunos afirmaram que é extremamente fácil manter contato com traficantes ou repassadores de drogas.
• A falta de respaldo policial para a segurança dos estabelecimentos de ensino é outro aspecto bastante mencionado. Foram feitas sugestões pelos próprios entrevistados quanto à necessidade de melhor treinar os policiais que já fazem esse trabalho.
• A pesquisa indica manifestações de discriminação racial revelando que os alunos não brancos são muito mais numerosos nas escolas públicas e no turno da noite do que os alunos brancos. Tal fato pode ser a expressão da existência de barreiras ao acesso de negros e mestiços às escolas particulares, consideradas, por muitos entrevistados, como de melhor qualidade.
• A principal manifestação da violência nas escolas é de natureza física. Nelas ocorrem ameaças brigas às vezes com conseqüências letais; além de roubos, assaltos, depredações, tiroteios etc. As brigas são consideradas acontecimentos corriqueiros, sugerindo a banalização da violência e sua legitimização, como mecanismo de solução de conflitos.
• Foram relatados também estupros e outras violências sexuais nas escolas e no seu entorno, especialmente no itinerário percorrido pelas alunas no deslocamento para suas casas.
• Embora nas situações de violência no ambiente escolar as armas de fogo não sejam predominantes, os percentuais de alunos que apontam seu uso são bastante elevados. Segundo a consulta a alunos e membros do corpo técnico-pedagógico, é em São Paulo e no Distrito Federal que são mais freqüentes as indicações do uso de armas de fogo nas ocorrências, enquanto que em Florianópolis estão os menores percentuais de alunos que apontam seu uso.
• Os alunos estão conscientes do poder de agressão não apenas das armas de fogo mas também das chamadas armas brancas (objetos cortantes como faca, canivetes, estiletes etc.).
• Mais da metade dos que sabem onde e de quem comprar armas (55%) também acham fácil obter armas perto da escola. Mais da metade dos que já tiveram ou têm uma arma de fogo (51%) também declararam que seus pais ou parentes possuem armas de fogo.
• Dois terços dos que sabem onde/quem vende armas de fogo (67%) dizem que essas armas são acionadas nas ocorrências violentas na escola.
• Dos que disseram ser fácil conseguir armas de fogo na escola ou em suas imediações, 69% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola. E dos que tiveram ou têm arma de fogo, 70% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola.
• Os estudantes que relatam ter visto alunos, pais, professores ou funcionários portando armas de fogo e/ou outras armas na escola apresentam maior média de relatos de ocorrências violentas, quando comparados aos demais.
• O estudo da vitimização mostra que os alunos, em geral, são as vítimas mais freqüentes. Em seguida estão os professores e os funcionários/diretores.
• Ao cruzar os dados, verificou-se que os impactos mais significativos da violência são, pela ordem, alterar o ambiente da escola (tornando-o mais pesado), faltar às aulas e piorar a qualidade das aulas. Em seguida aparece a perda de motivação para comparecer às aulas, que apresentou associação com as ocorrências de violência nas escolas em metade dos casos.
A violência na escola é assunto antigo das conversas sobre educação. Em 2000, a UDEMO realizou uma pesquisa com quase 500 escolas públicas de todo o estado de São Paulo, 44% afirmaram que a violência aumentara em relação aos anos anteriores.
É importante ressaltar que a violência escolar não vem desacompanhada de outros fatores. Não é algo que surge e termina dentro da sala de aula. É apenas uma das facetas dos variados tipos de violência que acercam o jovem diariamente: a violência familiar, social, estatal, verbal, física, comportamental, entre tantas outras. O aluno influenciado por tipos de violência em casa ou na rua é meio de transporte para que esta violência adentre as escolas.
O assunto é vasto e merece muitas discussões e reflexões. Contudo, para o professor, além de combater as causas, é de imediata importância também entender e tentar controlar suas conseqüências. Para isso, muitas possíveis soluções estão sendo apontadas a fim de que esse sério problema seja resolvido. Uma das ações que melhores resultados tem mostrado é a boa gestão da escola. Ou seja, a vontade dos diretores e dos professores de mudar o quadro depredado da escola. Bons exemplos encontramos em escolas como a da Vila Prete e a Professor José Negri, ambas no estado de São Paulo. Essas escolas conseguiram ótimas notas em exames nacionais, e o segredo está na boa gestão.
Uma gestão de qualidade inclui projetos que tragam os professores, pais e voluntários para perto dos alunos, dentro da escola. Projetos como atividades internas nos períodos em que não se tenham aulas, aos fins de semana etc, assim como o conhecido Amigos da Escola, ou mesmo outros de iniciativa própria nas comunidades.
O importante é acreditar no aluno. Não se pode desistir daquele aluno que não consegue aprender e tem dificuldades dentro e fora da escola, sentindo-se intimidado com a frustração, ele pode reagir com violência. A professora Mabel Victorino, 30 anos, deixa isso claro quando fala sobre o assunto,
“A gente tem de usar todas as formas possíveis para fazer o aluno aprender… Se não dá de um jeito, aprende de outro.”
A vontade de se empenhar na pacificação da escola já é bem antiga, em 1999, uma reportagem da ISTOÉ que tratava da violência escolar coloca um comentário do pedagogo Roberto Leme, presidente da UDEMO na época,
“Sem conseguir sobressair, os jovens se juntam em grupos e partem para a violência”, explicitando a importância das atividades extracurriculares na rotina do jovem.
As Drogas
Um dos principais motivos da violência escolar está no uso e no tráfico de drogas (ilícitas ou não). Muitos alunos usam e comercializam drogas dentro e nas proximidades da escola. Isso também atrai maus elementos para os arredores das instituições. Na mesma pesquisa da UDEMO,
“27% das escolas pesquisadas relataram que alunos portavam e consumiam bebidas alcoólicas durante as aulas. 19% das escolas foram invadidas por estranhos, com objetivo de furto, roubo, estupro, tráfico, de drogas. 18% acusaram porte ilegal de armas, por parte dos alunos.”
A solicitação de um bom policiamento às autoridades, como se já não fosse um dever, pode ajudar. Às vezes, apenas a presença de uma viatura da Guarda Municipal já é o suficiente para intimidar possíveis problemas nas saídas das escolas e o comércio de drogas - pelo menos em frente aos portões.
Um levantamento publicado pelo jornal argentino Clarín, no ano passado, mostra que o Brasil é o 3º em uso de cocaína na América do Sul,
“1,7% dos brasileiros matriculados no ensino médio já consumiram a droga.”
O Brasil perde apenas para a Argentina e para o Chile. Isso pode nos dar uma idéia de como o problema é grande.
Sem contar o uso de bebidas alcoólicas e de cigarro comum. A criança com muito tempo livre ocioso acaba por assistir a muitos programas violentos e que incentivam o uso de álcool, por exemplo. Aída Maria Monteiro Silvia trata, em seu texto, A Violência na Escola: A Percepção dos Alunos e Professores (link para o arquivo em .pdf), entre outras coisas, a influência que a programação pouco educativa da televisão causa às crianças.
Campanhas e projetos que dão seminários sobre o uso e o efeito das drogas no organismo podem ajudar no combate a esse uso indevido na rua e nas salas de aula
1
Analfabetismo no Brasil
Parte 1: Magnitude e evolução do analfabetismo no Brasil
Magnitude
· Segundo estimativas obtidas com base na PNAD 2001, 12,4% das pessoas com
mais de 15 anos de idade são analfabetas. Este resultado, embora seja o mais
recente, exclui a área rural da região Norte.
· As estimativas produzidas a partir do Censo Demográfico de 2000 indicam uma
taxa de analfabetismo para a mesma faixa etária (15 anos e mais) de 13,6%, o que
representa 16 milhões de pessoas analfabetas.
· Pelas estatísticas das Nações Unidas, presentes no Relatório de Desenvolvimento
Humano de 2001, o Brasil exibe atualmente uma taxa de analfabetismo, para a
população com 15 anos ou mais de idade, de 14,8% (vale ressaltar que este dado
para o Brasil refere-se ao ano de 200).
· A tabela abaixo apresenta uma síntese de todas estas estimativas mais recentes para
a taxa de analfabetismo brasileira.
Comparações internacionais
· Como resultado desta elevada taxa de analfabetismo exibida pelo Brasil ocorre que
55% dos países do mundo apresentam melhor desempenho que o nosso. Mesmo em
relação ao 19 países latino-americanos ocorre que 72% deles têm uma taxa de
analfabetismo menor que a brasileira.
Segundo dados do Censo 2000 - resultados da amostra, o Brasil possu�a naquele ano uma popul ao de 170 milh�es de habitantes, dos quais 91 milh�es se classificaram como brancos (53,7%), 65 milh�es como pardos (38,4%), 10 milh�es como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%) e 734 mil como ind�genas (0,4%).
