segunda-feira, 16 de junho de 2008

CHINA E TIBET

17/03/2008 - 07h28
Entenda as relações turbulentas entre China e o Tibete
da BBC
O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. O governo da região autônoma, apoiado por Pequim, afirma que dez pessoas morreram nos confrontos do fim de semana, mas autoridades do governo tibetano no exílio dizem que pelo menos 80 perderam a vida nos choques com a polícia.
Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.
Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.
Saiba mais sobre o que provocou os protestos, quem são os envolvidos e por que o Tibete está em disputa contra o domínio chinês.

Por que os protestos estão ocorrendo?
Essa é uma questão histórica. A China diz que o Tibete faz parte de seu território desde meados do século 13 e deverá ficar sob o comando de Pequim.
Muitos tibetanos, no entanto, têm uma outra visão da história. Eles afirmam que a região do Himalaia ficou independente durante vários séculos e que o domínio chinês nem sempre foi uma constante.
Entre 1911 e 1950, por exemplo, o Tibete manteve o status de país independente, até que Mao Tsé-tung comandou a Revolução Chinesa e chegou ao poder no país, em 1949.
Em 1963, ganhou status de região autônoma, e hoje conta com um governo apoiado pela China.
Em 1989, a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial.
Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.
O que detonou os últimos protestos?
As manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês.
Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.
Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos.
Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.
O dois lados serão capazes de resolver as diferenças?
O governo chinês mantém pouco diálogo com o governo tibetano no exílio, com base na Índia. As negociações nunca avançaram e provavelmente não devem avançar no futuro o abismo entre as duas partes é imenso.
A China diz que os tibetanos no exílio, liderados pelo dalai-lama, só estão interessados em separar o Tibete da terra mãe. O dalai-lama diz querer nada mais do que a autonomia da região.
Por que a questão do Tibete é tão conhecida no mundo ocidental?
Esta é uma pergunta difícil de responder. O domínio chinês sobre a província de Xinjiang, no oeste do país, é tão controverso quanto o do Tibete, mas não conta com a mesma notoriedade.
Talvez uma das razões pelas quais os ocidentais saibam sobre os problemas do Tibete é por causa do dalai-lama.
Desde que fugiu do Tibete depois do fracasso do levante, em 1959, o líder espiritual dos tibetanos viajou o mundo para advogar por mais autonomia para sua terra natal, sempre enfatizando que não defendia a violência.
Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989.
Haverá novos protestos?
Provavelmente. A causa fundamental dos protestos não foi solucionada, então a tensão persiste.
Os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíadas.
Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.
Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007.
Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

04/06/2008 - 21h03
Áreas de conservação federal somam 8,3% do território nacional, diz IBGE

da Folha Online

A área destinada às unidades de conservação ambiental nacional cresceram de 6,5% do território nacional em 2003 para 8,3% em 2007. Com isso, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem mais de 712.660 km2 de áreas protegidas em nível federal. No total, o número de unidades de conservação passou de 251 para 299 no período.
Entre biomas analisados pelo IBGE, a Amazônia detém a maior área protegida, concentrando mais de 15% das unidades de conservação federais --6,5% são unidades de proteção integral, que não permitem que a população habite no local. A Caatinga e os Campos Sulinos são os que possuem menos unidades de conservação.
"O bioma amazônico teve o maior aumento de área protegida entre 2003 e 2007, seguido pelas unidades de conservação marinha. Por outro lado, os biomas Pantanal e Caatinga não tiveram aumento em sua área protegida por unidades de conservação federais", afirma o instituto, em nota.
O estudo "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008", feito pelo IBGE, mostra que grande parte dos parâmetros ambientais no país ainda estão negativos ou mantêm uma evolução muito lenta. No total, o instituto analisou 23 indicadores, divididos nos temas atmosfera, terra, água doce, oceanos, mares e áreas costeiras, biodiversidade e saneamento.
Para o IBGE, são dados positivos a redução no consumo de substâncias que prejudicam a camada de ozônio, o aumento das áreas de conservação, a redução no número de incêndios e a estabilização na poluição atmosférica, com exceção do ozônio, cuja concentração continua aumentando.
Entretanto, a poluição dos rios em grandes regiões metropolitanas e nas praias continua em nível elevado. Além disso, a devastação da Amazônia voltou a ganhar força, conforme dados divulgados nesta semana pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

terça-feira, 3 de junho de 2008

amazônia


02/06/2008 - 22h47
Em 12 meses, Amazônia perdeu área equivalente a seis São Paulos
da Folha Online
Entre maio de 2007 e abril de 2008, os últimos 12 meses registrados pelo sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), a Amazônia sofreu um desmatamento de 9.495 km2, o equivalente a mais de seis vezes a área da cidade de São Paulo. Só no último mês de abril, foram desmatados 1.123 km2, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
De acordo com o relatório do instituto, os Estados em que foram registradas as maiores áreas desmatadas em abril foram Mato Grosso (794,1 km2) e Roraima (284,8 km2). O governo de Mato Grosso, o líder em desmatamento em abril, informou que os dados do Inpe serão verificados em campo.
"Onde for comprovado o desmatamento ilegal será lavrado o auto de infração. Os números do Deter são alertas para a fiscalização, e nós vamos continuar fiscalizando", afirmou o secretário de Meio Ambiente do Estado, Luis Henrique Daldegan, em nota.
Roberto Jayme/Reuters
Carlos Minc considerou "preocupantes" os dados sobre desmatamento e anunciou pacote de medidas para a Amazônia
Em março, o índice de desmatamento havia ficado em 145 km2, mas esse dado não é confiável para comparar o desmatamento na floresta.
Isso porque, conforme o Inpe, o aumento pode ser explicado, em parte, pela maior oportunidade de observação do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que faz essa medição.
Isso porque em março deste ano 78% da Amazônia estava sob nuvens e, em abril, esse índice foi reduzido para 53%.
No Mato Grosso, por exemplo, que teve uma área de desmatamento registrada de 112,4 km2 em março, a cobertura de nuvens diminuiu de 69% para apenas 14% em abril.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) considerou que os dados são "preocupantes". Ele anunciou um pacote de medidas para coibir a destruição de florestas na região, entre elas o início da apreensão de gado criado em propriedades não regularizadas --chamada por Minc de operação "boi pirata"-- e a criação de um batalhão de guarda florestal para evitar ações de degradações às florestas.


Apesar de admitir que os dados do Inpe podem não ser precisos, uma vez que as imagens aéreas captadas na Amazônia foram prejudicadas por nuvens na região, Minc ressaltou que os números indicam que o desmatamento na Amazônia pode crescer ainda mais nos próximos meses.
"Os piores meses de desmatamento, historicamente, são junho, julho e agosto. Não podemos dormir no ponto, o pior está por vir. Mesmo sendo um indicativo, impreciso, com nuvens, é comparado com outros semelhantes", alertou.
O ministro atribuiu o crescimento das áreas desmatadas ao aumento do preço da soja e da venda de gado no mercado econômico. Segundo Minc, há uma relação direta entre o aumento do preço da carne, da soja e o desmatamento.
"Isso significa estímulo para que novas áreas sejam ocupadas. É muito mais até o gado do que a soja, que normalmente é a segunda etapa da produção", afirmou.
Minc anunciou que, a partir do dia 15 junho, a operação "boi pirata" vai monitorar a cadeia produtiva do gado. As siderúrgicas, frigoríficos, madeireiras e agropecuárias serão notificados para que informem ao governo todos os seus fornecedores de carne. Os identificados como 'irregulares' terão a produção de gado apreendida pelo governo.
"Se uma siderúrgica compra material de frigorífico ilegal, ela é responsável pelo crime ambiental', explicou Minc. O ministro não descarta doar o gado apreendido para o programa Fome Zero, do governo federal. 'Pode ser uma alternativa para alimentar a quem precisa."
Controle
Minc disse que, também a partir deste mês, o governo vai ampliar o controle sobre a região amazônica com o envio de 500 homens para a fiscalização da região --como o núcleo da futura 'guarda nacional ambiental' que será criada no país.
Em conversa com o ministro Tarso Genro (Justiça), Minc disse que recebeu o compromisso de que será criado um batalhão especial com treinamento ambiental para agir a partir do segundo semestre deste ano no combate ao desmatamento.
O ministro ainda espera que a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de restringir, a partir de 1º de julho, a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais também vai ajudar na redução das áreas desmatadas.
Outra medida do governo, segundo Minc, será criar uma espécie de "paredão verde de unidades de conservação" para coibir o desmatamento.
"O dado é preocupante, não vamos brigar com o termômetro, não queremos chorar a seiva derramada. Vamos agir, o tempo é curto, as medidas estão certas, não deu tempo para surtirem efeito, algumas nem começaram. O boi pirata vai começar a partir de junho. Várias começaram e ainda não renderam frutos, outras estão começando agora", enfatizou.